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Pé diabético: os cuidados diários que evitam complicações

há 4 dias
3 min de leitura

No Brasil, mais de 15 milhões de adultos vivem com diabetes, segundo o IDF Diabetes Atlas. Muitos só descobrem que os pés foram afetados quando surge uma ferida. Isso acontece porque a doença pode reduzir a sensibilidade aos poucos: o corte, a bolha ou o calo existem, mas não doem. Reunimos aqui o que a ciência recomenda para proteger os pés no dia a dia.

Pés descalços sobre toalha, com espelho de mão, palmilha sob medida e calçados confortáveis: cuidados com o pé diabético

Por que o diabetes afeta os pés

A glicose alta por muito tempo pode lesionar os nervos (neuropatia diabética) e diminuir a circulação nas pernas e nos pés. A neuropatia atinge até metade das pessoas com diabetes ao longo da vida (Pop-Busui et al., Diabetes Care, 2017). Com menos sensibilidade, a pessoa não percebe pressão excessiva, atrito do sapato ou pequenos ferimentos. Com menos circulação, a cicatrização fica mais lenta.

Estima-se que entre 19% e 34% das pessoas com diabetes terão uma úlcera no pé em algum momento da vida (Armstrong, Boulton e Bus, New England Journal of Medicine, 2017). A boa notícia é que boa parte dessas lesões pode ser prevenida.

O exame diário dos pés, passo a passo

As diretrizes internacionais do IWGDG (International Working Group on the Diabetic Foot, 2023) recomendam olhar os pés todos os dias:

  • Olhe a sola, os dedos e entre os dedos. Se tiver dificuldade, use um espelho ou peça ajuda a alguém da família.

  • Procure cortes, bolhas, vermelhidão, calos, rachaduras, unhas encravadas e mudança de cor.

  • Sinta a temperatura. Uma região mais quente que o resto do pé pode indicar inflamação.

  • Lave e seque bem, principalmente entre os dedos, e hidrate a pele, sem passar creme entre os dedos.

  • Confira o calçado por dentro antes de calçar: pedrinhas e costuras soltas machucam sem que você perceba.

Sinais de alerta: procure ajuda

Procure seu médico ou um profissional de saúde se notar:

  • ferida que não melhora em poucos dias

  • inchaço, vermelhidão ou calor em uma parte do pé

  • formigamento, dormência ou queimação

  • mudança no formato do pé ou dos dedos

  • pele escurecida ou secreção

Palmilhas e calçados: proteção no dia a dia

Quem tem perda de sensibilidade concentra pressão em pontos da sola sem perceber, e é nesses pontos que as feridas costumam aparecer. As diretrizes do IWGDG indicam calçados adequados ao formato do pé e, para pessoas com maior risco, palmilhas sob medida que distribuem melhor a pressão plantar.

Na Boa Pisada, o atendimento começa com uma avaliação da pisada, incluindo a baropodometria, que mostra em um mapa onde o pé recebe mais carga. A partir dela, nossos fisioterapeutas indicam a palmilha e o calçado mais adequados, fabricados ou ajustados para cada paciente. Palmilhas e calçados não substituem o acompanhamento médico, mas podem ajudar a reduzir o atrito e a pressão que levam às lesões. Veja também: Sapato e palmilha para pé diabético.

Perguntas frequentes

Posso andar descalço em casa?

O ideal é não. Mesmo dentro de casa, um calçado fechado e confortável protege contra pequenos ferimentos.

Posso cortar calos ou unhas sozinho?

Calos não devem ser cortados em casa. As unhas devem ser cortadas retas, e quem tem pouca sensibilidade ou visão reduzida deve buscar um profissional.

Qualquer sapato confortável serve?

Nem sempre. O calçado precisa ter espaço para os dedos, poucas costuras internas e o tamanho certo. Em pés com deformidades ou alto risco, pode ser necessário um calçado ortopédico.

Com que frequência devo avaliar os pés com um profissional?

Depende do risco. O IWGDG recomenda pelo menos uma avaliação por ano para todas as pessoas com diabetes, e com mais frequência para quem já tem perda de sensibilidade ou teve úlcera.

Agende uma avaliação

Fale com a Boa Pisada pelo WhatsApp (41) 99914-6068. Estamos na Rua Antônio Corrêa Bittencourt, 372, no Ahú, em Curitiba, de segunda a sexta, das 8h30 às 18h.

Referências: IDF Diabetes Atlas, 10ª ed. (2021); Pop-Busui R. et al., Diabetes Care, 2017; Armstrong D.G., Boulton A.J.M., Bus S.A., NEJM, 2017; IWGDG Guidelines, 2023.

 
 
 

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