Pé diabético: os cuidados diários que evitam complicações
No Brasil, mais de 15 milhões de adultos vivem com diabetes, segundo o IDF Diabetes Atlas. Muitos só descobrem que os pés foram afetados quando surge uma ferida. Isso acontece porque a doença pode reduzir a sensibilidade aos poucos: o corte, a bolha ou o calo existem, mas não doem. Reunimos aqui o que a ciência recomenda para proteger os pés no dia a dia.

Por que o diabetes afeta os pés
A glicose alta por muito tempo pode lesionar os nervos (neuropatia diabética) e diminuir a circulação nas pernas e nos pés. A neuropatia atinge até metade das pessoas com diabetes ao longo da vida (Pop-Busui et al., Diabetes Care, 2017). Com menos sensibilidade, a pessoa não percebe pressão excessiva, atrito do sapato ou pequenos ferimentos. Com menos circulação, a cicatrização fica mais lenta.
Estima-se que entre 19% e 34% das pessoas com diabetes terão uma úlcera no pé em algum momento da vida (Armstrong, Boulton e Bus, New England Journal of Medicine, 2017). A boa notícia é que boa parte dessas lesões pode ser prevenida.
O exame diário dos pés, passo a passo
As diretrizes internacionais do IWGDG (International Working Group on the Diabetic Foot, 2023) recomendam olhar os pés todos os dias:
Olhe a sola, os dedos e entre os dedos. Se tiver dificuldade, use um espelho ou peça ajuda a alguém da família.
Procure cortes, bolhas, vermelhidão, calos, rachaduras, unhas encravadas e mudança de cor.
Sinta a temperatura. Uma região mais quente que o resto do pé pode indicar inflamação.
Lave e seque bem, principalmente entre os dedos, e hidrate a pele, sem passar creme entre os dedos.
Confira o calçado por dentro antes de calçar: pedrinhas e costuras soltas machucam sem que você perceba.
Sinais de alerta: procure ajuda
Procure seu médico ou um profissional de saúde se notar:
ferida que não melhora em poucos dias
inchaço, vermelhidão ou calor em uma parte do pé
formigamento, dormência ou queimação
mudança no formato do pé ou dos dedos
pele escurecida ou secreção
Palmilhas e calçados: proteção no dia a dia
Quem tem perda de sensibilidade concentra pressão em pontos da sola sem perceber, e é nesses pontos que as feridas costumam aparecer. As diretrizes do IWGDG indicam calçados adequados ao formato do pé e, para pessoas com maior risco, palmilhas sob medida que distribuem melhor a pressão plantar.
Na Boa Pisada, o atendimento começa com uma avaliação da pisada, incluindo a baropodometria, que mostra em um mapa onde o pé recebe mais carga. A partir dela, nossos fisioterapeutas indicam a palmilha e o calçado mais adequados, fabricados ou ajustados para cada paciente. Palmilhas e calçados não substituem o acompanhamento médico, mas podem ajudar a reduzir o atrito e a pressão que levam às lesões. Veja também: Sapato e palmilha para pé diabético.
Perguntas frequentes
Posso andar descalço em casa?
O ideal é não. Mesmo dentro de casa, um calçado fechado e confortável protege contra pequenos ferimentos.
Posso cortar calos ou unhas sozinho?
Calos não devem ser cortados em casa. As unhas devem ser cortadas retas, e quem tem pouca sensibilidade ou visão reduzida deve buscar um profissional.
Qualquer sapato confortável serve?
Nem sempre. O calçado precisa ter espaço para os dedos, poucas costuras internas e o tamanho certo. Em pés com deformidades ou alto risco, pode ser necessário um calçado ortopédico.
Com que frequência devo avaliar os pés com um profissional?
Depende do risco. O IWGDG recomenda pelo menos uma avaliação por ano para todas as pessoas com diabetes, e com mais frequência para quem já tem perda de sensibilidade ou teve úlcera.
Agende uma avaliação
Fale com a Boa Pisada pelo WhatsApp (41) 99914-6068. Estamos na Rua Antônio Corrêa Bittencourt, 372, no Ahú, em Curitiba, de segunda a sexta, das 8h30 às 18h.
Referências: IDF Diabetes Atlas, 10ª ed. (2021); Pop-Busui R. et al., Diabetes Care, 2017; Armstrong D.G., Boulton A.J.M., Bus S.A., NEJM, 2017; IWGDG Guidelines, 2023.




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